domingo, 23 de maio de 2010

Eu Calopsita


Apararam minhas asas para conter meu vôo, diziam que era para evitar que eu me machucasse entre as paredes, janelas ou até mais perigoso, fosse direto e sem proteção para o mundo predador.

Me tornei alegre, afavel, sempre feliz entre os que me demonstravam amor. Cantava demonstrando meus talentos, distribuia cores em minhas penas tornando o cenário lúdico e feliz.

Como uma calopsita mansa me tornei parte da familia, acompanhando seus passos, suas aventuras, sempre disponível para dar um assovio e espantar a tristeza quando ela resolvia se instalar no ar da casa.

Bonita, mansa, alegre, afinada, altruista.

QUERO VOAR!

Distraidamente vou distraindo o tempo e minhas asas voltam a crescer e a fortalecer.

Terei que arriscar vôos desconhecidos e aprender a me defender dos predadores e também a conhecer novos caminhos e amigos. Sair pela janela ganhando o mundo e suas emoções, corajosamente enfrentando os meus desafios.


"Os poemas são passaros que chegam e não se sabe de onde e pousam no livro que lês.

Quando fechas o livro, eles alçam vôo como de um alçapão. Eles não tem pouso nem porto,

alimentam- se um instante em cada par de mãos e partem. E olhas, então, essas tuas mãos

vazias, no maravilhado espanto de saberes que o alimento deles já estava em ti..." (Mario Quintana).


sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010




A morte chega cedo,
Pois breve é toda vida
O instante é o arremedo
De uma coisa perdida.
O amor foi começado,
O ideal não acabou,
E quem tenha alcançado
Não sabe o que alcançou.
E tudo isto a morte
Risca por não estar certo
No caderno da sorte
Que Deus deixou aberto.

Fernando Pessoa

O que pensar diante de um livro que termina? Uma história que nos deixa lembranças, saudades, memórias. Tenho visto pessoas indo embora e dentro de mim vem um conforto de etapa cumprida e ao mesmo tempo a dúvida, será que deu tempo de cumprir? Será que eu consegui fazer algo dentro daquela história.
Assim foi Felice, puro amor...amou tanto que apagou. Digo eu que Felice era uma bombeira, vivia apagando a fúria do marido, dos filhos, dos netos tentando trazer sempre a harmonia para todos. Benzedeira das boas, quituteira caprichosa, mulher de mãos, para acarinhar, afagar, cozinhar e apagar labaredas. Foi embora, consciente, vendo os que vieram buscá-la, em paz.
Tia Alaíde era uma fusão de emoções, uma menina em corpo de mulherão, companheira das filhas, sofrida tadinha, mas crente de que a vida era assim mesmo e assim foi e assim ela se foi, er a casa da Tia, tinha sempre kisuco, um cafézinho e eu ficava lá uma temporada de verão me sentindo em casa, era minha tia querida, do coração, chorona e super carinhosa com todos, foi descansar e ser cuidada. Peço aos anjos...cuidem da Tia!

Agora vem a minha amada amiga Silvana, tonel de emoções, canceriana – da família, da vida, da alegria. Eu vivi minha juventude com ela, as cachoeiras, as praias, as festas, os namorados, meus melhores momentos juvenis foram com ela. Pura simpatia, popular, a melhor risada, e dançava para parar o salão. Mestra da vida minha amiga. Mas as emoções foram demais para a sua alma, para o seu coração e assim começou a viver de surtos, e a vida deixou de ser aquela aventura para seguir no dia e na noite e no voar das folhinhas de calendário. Sil também deixou sabores - de Yaksoba...me chamava de Papitcha e fazia um tear...super caprichosa...sinto falta da Silvana, mas eu a perdi, há muito tempo atrás. Que os mestres a amparem no amor, na luz, na paz e na purificação.
Mulheres que vibraram emoções à sua maneira e assim foram desconectando e se apagando como uma vela de aniversário que acabou.

Mulheres que me ensinaram muitas formas de amar...

MINHA MÃE LINDA QUE FOI EMBORA HÁ QUINZE ANOS E QUE ESTÁ AQUI NA MINHA ESSÊNCIA, MÃE DE AMOR, DE GARRA E DE DIGNIDADE, CADA VEZ ANTES TROPEÇAR ME LEMBRO DE TI, ERGO-ME NO SALTO E SIGO EM FRENTE.
A nave vem, nós passamos, mas o melhor de nós sempre fica e o melhor é o sorriso, a companhia, a paixão pela vida.

Obrigada meninas!